A chegada do coronavírus ao Brasil trouxe inúmeras mudanças na rotina de todos. A quarentena instaurada fez com que tenhamos outros hábitos de consumo, outra rotina de entretenimento e outro cotidiano no trabalho.

Para você ter ideia do impacto dessas mudanças, o isolamento social que estamos enfrentando fez até mesmo com que o ‘ruído sísmico’ causado por seres humanos fosse reduzido nas últimas semanas.

Ao estarmos reclusos, é o acesso a internet na quarentena que torna-se a ponte entre as nossas casas e o mundo. Como resultado, nunca estivemos tão online, seja para interagir com outras pessoas, seja para buscar informações em meio a tantas incertezas.

Mas será que a internet brasileira está preparada para suportar a transformação do nosso uso de dados em tempos de pandemia? Conheça a seguir as mudanças no nosso padrão de consumo de internet na quarentena e quais são as medidas adotadas para garantir que não fiquemos sem conexão mesmo em tempos tão conturbados.

Crescimento no consumo de dados online

Por conta do Covid-19 e das medidas de isolamento impostas ao redor de todo o mundo, mais pessoas passaram a acessar a internet para fins como:

  • trabalho remoto,
  • estudo à distância e
  • busca por entretenimento.

Esse crescimento na utilização de dados tem sido uniforme nas últimas semanas ao redor do mundo.

Além disso, um comportamento curioso que tem sido observado no que diz respeito ao consumo de internet no Brasil. Agora, o uso diário está parecido com o de um domingo: cresce durante a manhã, atinge um patamar à tarde e tem pico à noite.

Se você tem sentido que todos os dias estão parecidos e que você tem passado mais tempo do que o normal online, os dados confirmam essa sensação.

Medidas para manutenção da qualidade da internet

qualidade da internet na quarentena

Redução de qualidade em streaming

O grande “vilão” do tráfego de internet, que tende a ocupar mais a infraestrutura brasileira, é o streaming de vídeo. Assim, os principais serviços, como Netflix e Globoplay, já adotaram políticas de redução da qualidade na imagem em vídeo.

Com o aumento de requisições online, essa foi uma forma de diminuir o consumo de dados e diminuir a sobrecarga nos provedores de internet.

Na Europa, a Neftlix e o YouTube foram pressionados por autoridades para que tomassem medidas preventivas, impedindo que os serviços de internet sofram algum colapso e parem de funcionar.

Já no Brasil, o Globoplay vai limitar resoluções como 4K e Full HD (1080p). Assim, um capítulo de novela com 60 minutos, por exemplo, que consumia 2,5 Gb no Full HD, passará a requerer somente 1,2 Gb.

Apesar da redução, acredita-se que apenas usuários que possuem telas a partir de 65 polegadas serão capazes de notar a diferença na qualidade de vídeo.

Aumento na capacidade de internet de provedores

No meio do mês de março, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) determinou às operadoras de telefonia e internet medidas para aumentar a velocidade de acesso da população nesse período de crise.

“Com um cenário de maior distanciamento físico entre as pessoas, requisições de quarentena e de trabalho remoto, as conexões de acesso às redes se tornarão ainda mais essenciais”, informa um dos trechos do ofício.

Entre as ações indicadas estão:

  • Aumento de capacidade aos consumidores;
  • Abertura e ampliação de pontos de WiFi públicos;
  • Prioridade de atendimento para serviços de utilidade pública, como hospitais;
  • acesso ao aplicativo “Coronavirus – SUS”, do Ministério da Saúde, sem desconto de franquia. 
  • Flexibilização nos casos de inadimplência por parte dos consumidores.

“Tais sugestões decorrem da percepção de que os serviços de telecomunicações terão função ainda mais essencial à população, seja para comunicação, entretenimento, trabalho remoto, bem como serviços de saúde e educação e preservação dos fluxos de trabalho e negócios”, disse o órgão em nota.

Entretanto, essas ações a respeito do oferecimento de internet na quarentena ainda deixam a desejar quando o assunto é ensino a distância (EAD).

De acordo com o sociólogo, especialista em Comunicação e Tecnologia e professor da Universidade Federal do ABC, Sérgio Amadeu, seria primordial que os provedores liberassem o acesso gratuito para jovens estudantes que terão aula a distância. “Muitos alunos não têm recursos para assistir várias aulas em vídeo. A Anatel deveria impor a gratuidade da navegação na internet para garantir o acesso à educação. Isso evitaria planos oportunistas de operadoras para explorar essas pessoas”, disse.

Corremos o risco de ficar sem internet na quarentena?

O Speedtest.net, serviço usado do mundo para teste de velocidade de conexão, publicou relatório que aponta redução de velocidade de operação em países como Estados Unidos, China e Itália. 

Segundo a Anatel, é primordial “gerar um perfil de consumo de tráfego mais conservador para evitar um possível colapso da infraestrutura”.

“Com o isolamento social num ambiente urbano, as pessoas com acesso à internet na quarentena vão precisar se informar, se entreter, realizar atividades e tudo isso pede ‘mais internet’. É como você ter uma estrada e triplicar o número de carros, vai haver congestionamento. A situação é de dificuldade e podemos ter redução na oferta de banda”, diz Sergio Amadeu em entrevista ao portal RBA.

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Sobre o autor:
Ana Beatriz – Analista de Marketing
Entusiasta do marketing de conteúdo e apaixonada por pessoas.
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